Facebook Youtube RSS
Versão para impressão Diminuir tamanho das letras Voltar Página inicial Aumentar tamanho das letras

Notícias

  24/03/2017 

SINDSIFCE denuncia perseguição política e censura a professora do IFCE e manifesta solidariedade

A Diretoria Colegiada do Sindicato dos Servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (SINDSIFCE) manifesta sua solidariedade a uma professora do Instituto, colega que foi vítima de preconceito, desonestidade intelectual, perseguição política e tentativas de censura, pelo simples exercício profissional de suas atividades como professora do IFCE.
 
Ao alertar para o fato de que temas como a formação do estado burguês, a criação dos sistemas nacionais de ensino, o papel social construído para a mulher podem e devem ser motivo de reflexão em atividades didáticas, inclusive de educação física, a referida servidora foi vítima de comentários maledicentes e preconceituosos em redes sociais, muitos deles incorrendo no terreno do machismo, da ignorância, da tentativa de intimidação e de restrição do papel de professora.
 
Em tempos complexos e de forte ascensão conservadora, como os que vivemos, chama atenção e causa preocupação ver, entre esses comentários, posts de pessoas defendendo o projeto "Escola sem partido", considerado pelos pesquisadores e pelas entidades da educação uma tentativa de censura, uma agressão política e cidadã, um desvirtuamento e uma incompreensão totais do papel do professor, que não pode prescindir da liberdade intelectual para, mais do que formar técnicos, formar cidadãos. Mais do que reproduzir fórmulas e dados, ensinar a pensar. Mais do que entregar receitas prontas e caminhos pré-estabelecidos, reproduzindo relações de poder de uma sociedade cada vez mais desigual, mostrar que cada um de nós pode e deve ser sujeito e protagonista de sua própria história. Que o mundo e a sociedade estão sempre em transformação e que modificá-los para melhor depende essencialmente da clareza de visão e ação de cada um de nós.
 
A reflexão trazida pela professora sobre a triste realidade da comunicação social em nosso País é outro ponto digno de atenção. Grande parte do ódio contra a servidora que se verificou em algumas das manifestações teve por motivo a menção a sites e blogs críticos ao atual Governo Federal e que procuram estimular o pensamento de seus leitores, em um pequeno e ainda pontual contraponto aos grandes meios de comunicação de massa. Estes que, diretamente responsáveis por distorcer a realidade, manter cotidianamente práticas extremamente parciais e nada jornalísticas, servir a interesses de corporações financeiras nacionais e internacionais, ampliar as condições sociais e políticas para que se consumasse um golpe contra um governo a respeito do qual também tínhamos diversas críticas, mas que fora legitimamente eleito, hoje se empenham para tentar dizer que "a economia voltou a crescer", para "vender o peixe" da reforma da Previdência, do fim dos direitos sociais, da derrocada dos direitos trabalhistas.
 
A verdade é que o Brasil nunca realizou seriamente o necessário debate sobre a comunicação social, que apesar dos avanços das novas tecnologias e das redes sociais, segue concentrada nas mãos de meia dúzia de famílias, com interesses muito bem definidos em reproduzir a estrutura de poder em que nossas elites se mantêm. O contraponto sugerido pela professora enriquece o debate e amplia o universo de fontes de informação e reflexão para seus alunos. De veículos massivos, parciais, elitistas, extremamente políticos mas que se vendem como "imparciais" e "jornalísticos", enquanto tentam falsear a realidade, reforçar estereótipos, manipular a verdade, estimular padrões de comportamento e moldar o pensamento do "brasileiro médio" (para lembrar um termo empregado pelo apresentador do Jornal Nacional), já estamos saturados há bastante tempo.
 
Infelizmente, os ataques desferidos contra a professora estão longe de constituir exceção, em um País que vive sob um governo ilegítimo, que chegou ao poder sob uma assumida conspiração. Uma nação que vem mergulhando em um contexto cada vez mais conservador, de consequências imprevisíveis para nossa gente, já achacada por mudanças na legislação que congelam investimentos em direitos sociais por 20 anos (PEC 55/241), impõem uma reforma do Ensino Médio via medida provisória e trazem a possibilidade real de ver desaparecerem rapidamente direitos que levaram séculos para serem conquistados, como a legislação previdenciária e a trabalhista.
 
A gravíssima situação vivenciada por esta servidora do IFCE é mais um caso de perseguição política, tentativa de censura, de cerceamento dos direitos pessoais, profissionais e cidadãos, tal qual ocorreu no IFPB, com o professor Sérgio Rodrigues, caso também denunciado pelo SINDSIFCE, que inclusive publicou em seu site entrevista com o autor.
 
O SINDSIFCE se manifesta a favor da servidora, do seu direito e do direito de seus estudantes a contarem com plena liberdade de reflexão, informação, pensamento. Cobramos da Reitoria do IFCE ações concretas pela garantia da liberdade de cátedra. Repudiamos os ataques desferidos contra a professora e conclamamos toda a comunidade acadêmica a estar alerta para que ameaças do tipo e visões extremamente nocivas e estreitas sobre o processo educacional, nos moldes do "Escola sem Partido", não venham a causar novas vítimas em nossa instituição. Viva a educação, viva a liberdade de expressão e de pensamento!
Última atualização: 25/03/2017 às 09:12:23
 
Versão para impressão Diminuir tamanho das letras Voltar Página inicial Aumentar tamanho das letras

Comente esta notícia

Nome
Nome é necessário.
E-mail
E-mail é necessário.E-mail inválido.
Comentário
Comentário é necessário.Máximo de 500 caracteres.
código captcha
Código necessário.

Comentários

Seja o primeiro a comentar.
Basta preencher o formulário acima.

FONES  (85)  3223-6370 / 99858-0145 FAX  (85)  3281-0209 sindsifce@hotmail.com
SINDSIFCE - Sindicato dos Servidores do IFCE
Rua Aratuba, Nº01-A, Benfica - Fortaleza - Ceará
CEP 60040-540  /  CNPJ 23.563.257/0001-57
desenvolvimento www.igenio.com.br